terça-feira, 3 de março de 2009

Encontro e conhecimento

Anotações de leitura do livro A Questão de Deus e o homem moderno, de Hans Urs von Balthasar


- os elementos característicos da interpretação contemporânea do mundo podem ser rastreados nas épocas anteriores.

- o homem sempre foi tido como epítomo do mundo pela sua capacidade (espiritual) de transcendê-lo.

- transcendência: capacidade para o absoluto, abertura para o ser como tal e, em última instância, possuidora de um 'ouvido para Deus'.

- a interpretação moderna do mundo e a filosofia moderna se mantêm dentro da grande tradição, da qual são uma variação do tema perene.

- houve, no entanto, uma mudança fundamental. O homem, até então, embora um ser privilegiado, é parte do mundo, uma 'porção da criação' (Agostinho - Confissões). Agora, temos uma filosofia do ser que é, concreta e universalmente, idéia do mundo, locus onde o ser enquanto tal é entendido e realizado.

- o homem cria significado no encontro.

- o ser humano possui a chave para o sentido das coisas, não por uma presença inata, nele, das idéias, mas por direcionar às coisas sua luz intelectual como meio de apreensão do ser. É nessa luz, que é o meio de apreensão, que o ser pode ser interpretado, pois é por ele que o 'objetivo' pode penetrar.

- as coisas não são o que são e devem ser através de um mero reflexo passivo do que já são totalmente no 'exterior'; nem é a forma dessas coisas simpresmente 'subjetiva', não se coloca um material disforme de uma 'coisa em si' como um meio de revelar suas categorias ordenadamente.

- elas encontram sua própria essência objetiva nomeio de suas subjetividades mutuamente abertas.

- o espaço de significado é pessoal. Por isso o conhecimento que ocorre nesse espaço só pode ser adequado e plenamente interpretado no encontro com a outra pessoa.

- uma teoria do conhecimento que parte do fundamento do conhecimento - o encontro - enfrenta falsos problemas, que surgem quando se equipara os 'objetos enquanto tal' ou as 'coisas' e a pessoa que faz o encontro. O 'encontro' como centro da teoria do conhecimento não equivale a um personalismo.

- para realizar as condições de um conhecimento objetivo, todo encontro pessoal exige uma abertura irrestrita da própria pessoa, em princípio. essa abertura não pode faltar em nenhuma outra forma de conhecimento.

- não existe uma atitude de conhecimento 'puramente teórica' que não seja, ao menos em sua raiz, também uma atitude completamente humana e verdadeira. (p. 32)

- em suas ações intelectuais e espirituais, o homem está sempre presente como um todo e nelas aparece sua essência indivisível. Ele se abre a todas as coisas do cosmos como aquele local onde o significado pode ser encontrado - anima quodammodo omnia (Aristóteles). (p. 32)

obs.: essa idéia é muito próxima daquela em que Luigi Giussani afirma que o homem é o nível da natureza em que esta toma consciência de si.

- no encontro do homem com as coisas, estas últimas respondem na mesma medida que o homem se abre e se entrega. (p. 33)

- o risco da liberdade: no período cosmológico um certo tipo de realismo e objetivismo ingênuos era ainda possível. No período antropológico, a máxima objetividade só é obtida pelo máximo de risco do próprio homem. Antes, a medida da verdade estava primariamente na ordem cósmica.

- em qualquer esfera que o indivíduo atue, ele deve atuar integralmente como ser humano. (p.34)

- Feuerbach: "A filosofia moderna torna o homem o único e universal objeto de seu filosofar, ou seja, torna-se antropologia".

- CONHECIMENTO: uma teoria do conhecimento que trate do encontro entre seres humanos pode ser estabelecida somente em uma base religiosa. (p.38)

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